Archive for agosto, 2010

Vintage

 

VINTAGE

Ideal de beleza
Na revista, tendência da moda
Desfile de poemas fashions
Anorexia,
Bulimia,
Tudo diet, light
Glamour!…

Alma de tecido
Linha tecendo versos em fios
Cortes profundos no ser.
Na passarela,
Tropeça na autenticidade
Logotipos,
Pseudônimos, anônimos

Contemporaneidade
Moda “…ntistas”, démodé?
Mistura de peças antigas,
o look dos Top’s,
com itens modernos, quem resiste?
Sentimentos e emoções
enrubescidos, ainda pulsando.

Cecília Meirelles desfila
vestido florido com sandália de outono:
“Aprendi com a primavera;
a deixar-me cortar e voltar sempre  inteira.”

Carlos Drummond de Andrade veste
blusa tecida por musa:
“As coisas findas
muito mais que lindas, essas ficarão”

Clarice Lispector varia o figurino
de acordo com a ocasião:
“Leve como brisa, forte como ventania,
Depende de quando e como você me vê passar”

Machado de Assis, da cabeça aos pés,
faz a moda acontecer:
“Cada qual sabe amar a seu modo…
o essencial é que saiba amar”

Para a última moda, um pouco mais de poesia
à moda antiga.
Luzes, orquestra, flores…
Um sarau entre os festejos.
No que vê, no que ouve, no que lê.
O prazer,
Ao grande, ao belo!

Marli Savelli

 

Vintage: “moda …ntistas” – anos 20, 30, 40, 50, 60, setentistas e oitentistas.

31 de agosto de 2010 at 9:46 am Deixe um comentário

Pássaro de Fogo

PÁSSARO DE FOGO

Mata densa limita a visão.
Voa perdida.
Asas afiadas, foice no dedo.
Cólera reprimida.
Olha para os céus, grita por Águia!
Segue indefinida.

Arma-se,  atira, explode.
Chora escondida.
Morde o veneno do escorpião.
Vale a ferida.
No matagal risca o fósforo.
A chama suicida.

Marli Savelli

21 de agosto de 2010 at 5:24 pm 2 comentários

O Sonho Não é Pequeno

 O SONHO NÃO É PEQUENO

Depois de um tempo de construção, tijolo por tijolo, percebi uma casa bonita e simpática. Pintei-a de verde esperança. Mas, ao me abrigar nela descobri que não me oferecia o conforto necessário. 

O engenheiro fez o cálculo preciso, só que com o passar dos tempos mais móveis foram adquiridos, outros substituídos, e isso fez com que o espaço não fosse suficiente para acomodá-los.

Lavei o quintal, joguei os entulhos, e fui providenciar outra moradia.

Em frente, ao encontro das possibilidades, adiante há uma casa.

Marli Savelli

 

17 de agosto de 2010 at 11:07 am Deixe um comentário

Certeza da Dúvida

CERTEZA DA DÚVIDA

“Antes eu tinha dúvida, agora só não tenho certeza!”

Marli Savelli

17 de agosto de 2010 at 10:41 am Deixe um comentário

Renúncia

RENÚNCIA

Crucifica-me, crucifica-me!…
Escalando o calvário,
os meus olhos banham a cruz.
Sigo os rastros de sangue ao Gólgota.
Açoites no meu mísero corpo.
Ombros feridos,
minha carne tortura.
Espírito nu, alma dilacerada.

Crucifica-me, crucifica-me!…
A cruz da dor e da paixão
(Sangrando, gemendo, chorando)
… Pregada na cruz,
Num clamor, invoco teu Amor:
“Ele tomou sobre si as minhas feridas
e as minhas dores levou sobre si…”
 __ Salva-me!

Marli Savelli

14 de agosto de 2010 at 5:51 pm Deixe um comentário

Terra à Vista

TERRA À VISTA 

Tempestade, águas turbulentas.
Vento voraz… tormentas.
Na ânsia do desvario,
fui levada para o mar pelo rio.
A embarcação com as ondas tombou.
O ferimento para o fundo, sangrou.
As bagagens de bruços,
abriu o peito, absorveu-as em soluços.

Lá se vão… afundando.
Uma depois outra, naufragando. 

Nas profundezas flutuantes,   
se afogando nas mãos gigantes.

 Do naufrágio, eu venho à tona!
Trouxe do mar só uma
g
o
t
a
salgada.

Marli Savelli

11 de agosto de 2010 at 3:36 pm Deixe um comentário

24 Horas

24 HORAS

As horas… uma cratera.
Engole um dia e outro, severa!
De tarefa… soterrada.
Na agenda, de especial, nada.

Marli Savelli

9 de agosto de 2010 at 7:20 am Deixe um comentário

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Licença poética é uma incorreção de linguagem permitida na poesia. Em sentido mais amplo, são opiniões, afirmações, teorias e situações que não seriam aceitáveis fora do campo da literatura. A poesia pode fazer uso da chamada licença poética, que é a permissão para extrapolar o uso da norma culta da língua, tomando a liberdade necessária para utilizar recursos como o uso de palavras de baixo-calão, desvios da norma ortográfica que se aproximam mais da linguagem falada ou a utilização de figuras de estilo como a hipérbole ou outras que assumem o caráter "fingidor" da poesia, de acordo com a conhecida fórmula de Fernando Pessoa ("O poeta é um fingidor").

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Por Clarice Lispector

“Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora”. C. Lispector

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